sábado, 26 de março de 2011

Um poeta em movimento

José Paulo trabalhando


O poeta declamando no Teatro Sete de Setembro em Penedo-Alagoas



Geraldo de Majella

José Paulo da Silva Ferreira, poeta, ex-funcionário público, nasceu em Pão de Açúcar (AL), no dia 29 de junho de 1962, filho de Otacílio Ferreira e Ubaldina Bezerra da Silva. Estudou sempre em escolas públicas em sua cidade natal e foi lá que iniciou as suas atividades como poeta e publicista, escrevendo poemas e também contribuindo na imprensa sindical com textos políticos, sendo o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Pão de Açúcar o seu bunker.

Os jornais mimeografados eram produzidos e distribuídos para os estudantes no Colégio São Vicente. No final da década de 1970, tem início a reorganização da União dos Estudantes Secundaristas de Alagoas (UESA), em Maceió, mas logo o trabalho foi ampliado para algumas cidades do interior onde havia contatos e estudantes com disposição para participar da luta estudantil. Foi o seu caso.

Como já havia um desejo, mais que um desejo, um trabalho de divulgação poética e político na cidade, principalmente entre os estudantes secundaristas, logo esse contato se materializou por intermédio dos estudantes de Pão de Açúcar que já moravam em Maceió e tinham participação no movimento estudantil. Não demorou muito tempo para que viesse morar em Maceió, numa das tantas residências alugadas por estudantes de Pão de Açúcar.

Descortina-se um novo horizonte na vida do poeta. Participa ativamente do movimento estudantil. Novos contatos são feitos, quando então passa a escrever em jornais de estudantes, tanto secundaristas como universitários, e se transforma num colaborador permanente dessas publicações alternativas.

O movimento estudantil cresce e assume papel cada vez de maior destaque, gerando um ambiente cultural novo para a Maceió da década de 1980 e para Alagoas.

O trabalho intelectual, antes publicado em mimeógrafo, toma um novo rumo, passa a ser editado em off set, uma nova tecnologia. Agora, já não são mais os livros artesanais, mas publicações modernas e em série.

A vida de estudante ficou para trás. Uma nova perspectiva é traçada. Era chegada a vez da poesia em sua plenitude: saraus em bares, encontros estudantis, participação em festivais de música. Em decorrência do seu engajamento é convidado para o seu primeiro trabalho formal, como servidor público, na Fundação Teatro Deodoro (Funted).

As enormes tarefas que se apresentam, como reorganizar e repensar uma instituição quase centenária como o Teatro Deodoro, foram um dos desafios naquele momento da vida cultural alagoana, mas não era evidentemente um trabalho individual em que um jovem poeta e outros tantos artistas e profissionais das artes cênicas se apresentaram como gestores públicos da área cultural, nem o momento concebia o mundo a partir da ótica de militante político, pois mantinha então vínculos com o Partido Comunista do Brasil (PC do B).

O jornal Boca de Estudante, órgão oficial do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), certamente foi o jornal que mais publicou poemas de Zé Paulo (como ficou conhecido e como assinava, também), mas foi na antologia Oficina de Poesia Opus-5, editada pelo DCE−UFAL, em 1986, que se revelou com maior destaque, ao lado de vários outros poetas, todos envolvidos com o movimento de renovação cultural em Alagoas e que tinham − pelo menos naquele momento histórico, a década de 1980 − o movimento estudantil como propulsor de ações artístico-culturais diferenciadas, recebendo influências do PC do B.

O Oficina de Poesia Opus-5 conta com poemas e textos de Cláudio Manoel, Deyves, Edvaldo Damião, Jorge Barbosa, José Duarte, Zé Paulo e Sidney Wanderley, numa edição com 76 páginas, pela Editora da Universidade Federal de Alagoas (Edufal).

Os seus poemas vão sendo publicados sempre em antologias ou ainda nos jornais do DCE e dos Centros Acadêmicos. Em 1987, a Secretaria de Cultura de Alagoas, pela sua editora, a Ediculte, lança a Coletânea Caeté do Poema Alagoano, com a colaboração de 43 poetas, entre eles, Zé Paulo.

A Fundação Cultural Cidade de Maceió (FCCM) seleciona centenas de poemas de dezenas de poetas alagoanos ou que em Alagoas vivem, e publica a Antologia dos Poetas Alagoanos. Mais uma vez poemas da autoria de Zé Paulo são publicados. Mas um fato persiste: o poeta não tem um livro autoral que reúna os seus poemas. Permanece em movimento pela cidade de Maceió, recitando nos bares, nos logradouros públicos, nos salões, nas manifestações estudantis e políticas.

O poeta, certo dia, encontra uma musa e se muda de mala e bagagem, em 1988, para Curitiba (PR), onde permanece até 1991. Continua publicando os seus trabalhos em obras coletivas; uma dessas foi o programa da coreografia Brasil, um país de cores, do Ballet Morozowicz. Expõe ainda no Sesc e no espaço Cultural da Caixa Econômica Federal (CEF), tendo participação ativa na Feira do Poeta.

Hoje o poeta José Paulo vive em Pão de Açúcar, à beira do rio São Francisco, olhando todos os dias o curso do rio, conversando com a sua gente, sertaneja como ele, fonte de sua inspiração e razão da sua existência.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Pauline Alencar

Pauline Alencar
Em comemoração ao aniversário de 125 anos, a Avon lançou em 2011 o concurso cultural “Busca de Talento no Canto Avon Voices”, que pretende lançar a nova sensação da música mundial. Mais de 5 mil cantoras foram avaliadas e apenas 197 passaram para a próxima fase que será realizada no Rio de Janeiro. A alagoana Pauline Alencar é uma das 12 cantoras brasileiras a ter seu talento reconhecido pelos jurados da Avon Voices, dentre eles Ivete Sangalo, que usou como critério para avaliação a melhor voz, interpretação, apresentação, carisma e autenticidade. A condição para que Pauline Alencar represente a musicalidade brasileira em Hollywood, é fazer um rápido registro no site www.avonvoices.com e votar muito durante o período que vai de 22 de abril a 20 de maio. O prêmio para quem vencer o concurso é a gravação de um disco profissional nos Estados Unidos. “Se é pra realizar meu sonho, corro atrás mesmo das oportunidades. Participar de um concurso deste porte pra mim já está sendo muito valioso.”
Para assistir ao vídeo acesse http://www.avonvoices.com/profile/6jennY.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Octávio Brandão

Laura e Octávio Brandão


João Cândido, o almirante negro e Octávio Brandão




O Partido Comunista Brasileiro (PCB) e a Fundação Dinarco Reis (FDR) convidam para a homenagem de entrega da Medalha Dinarco Reis, em memória, a Octávio Brandão

Octávio Brandão, teórico e dirigente comunista, teve sua vida vinculada à luta dos trabalhadores. Tendo contato com a classe operária desde a infância, Brandão foi um dos primeiros marxistas a olhar para a formação da sociedade brasileira e suas contradições.

No Brasil, foi o primeiro tradutor d’ O Manifesto do Partido Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels. Sua atuação no PCB data o início de sua construção enquanto partido de vanguarda. Já em 1928, foi eleito para o Conselho Municipal do Rio de Janeiro, atual Câmara dos Vereadores, pelo Bloco Operário Camponês (BOC). Juntamente com Minervino de Oliveira, é reconhecido como pioneiro na representação parlamentar comunista no Brasil.

Durante o governo de Getulio Vargas, no ano de 1931, foi deportado para a Alemanha em consequência de suas atividades políticas. No entanto, conseguiu rumar para a União Soviética, onde permaneceu exilado por 15 anos.

De volta ao Brasil, venceu as eleições de 1947, conquistando um novo mandato na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Assim como toda a bancada do PCB, Brandão foi cassado um ano depois, refletindo as opções feitas pelo governo Dutra em relação à Guerra Fria.

Apesar das perseguições, continuou lutando em prol do povo brasileiro. Em 1916‑1917, publicou material (em 1919 transformado no livro Canais e Lagoas) onde defendeu a tese da existência de petróleo no território brasileiro, tendo sido por isso homenageado, em 1937, pelo escritor Monteiro Lobato.


A Vida e a Luta de Octávio Brandão estão intimamente ligadas à luta dos trabalhadores brasileiros.


"No final de tantos combates, vitórias e reveses, reafirmo categoricamente: a causa pela qual me bati é ideologicamente justa e moralmente nobre." (Octávio Brandão, 1970)


"Contra a Burguesia. Contra o Imperialismo. Contra o Latifúndio. As três desgraças do Brasil!!"

Octávio Brandão e as Lutas do Seu Tempo (Documentário – 1978)


Ato com a presença de Antonio Carlos Mazzeo, João Quartim de Moraes, Mauricio Azedo, Vereador Eliomar Coelho (PSOL), Partido Comunista Brasileiro, Fundação Dinarco Reis e Centro Cultural Octávio Brandão

Plenário da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, dia 18 de Março às 18:00 - Cinelândia, Centro.

Dirceu Lindoso

Ciclo de Debates em torno da Obra de Dirceu Lindoso
Data: 24/03/2011 Horário: 14h00 às 19h00 Local: Auditório do LCCV/UFAL

Promoção: Programa de Pós-Graduação em Sociologia – PPGS/ICS/UFAL
Laboratório da Cidade e do Contemporâneo – LACC/ICS/UFAL
Pró-Reitoria de Extensão – PROEX/UFAL

P R O G R A M A Ç Ã O
14h00: Abertura oficial

14h20: Considerações sobre aspectos da obra de Dirceu Lindoso a partir de “As Invenções da Escrita”
Palestrante: Profº. Emérito Dr. Otávio Velho (Museu Nacional/UFRJ)

15h00: Título da palestra: Antropologia e Literatura: duas escritas?
Palestrante: Profº. Dr. Moacir Palmeira (Museu Nacional/UFRJ)

15h40: Uma Identidade em Questão: a alagoana
Palestrante: Profº. Dr. Osvaldo Maciel (ICHCA/UFAL)

17h20: Debate aberto com o público
18h00: Lançamento do livro A Razão Quilombola, de Dirceu Lindoso, pela EDUFAL, no hall do LCCV

*Serão fornecidos certificados da PROEX, com carga horária de 5 horas, aos participantes. Inscrições na Secretaria do ICS

Ybys Maceioh


SERVIÇO:

PROJETO PALCO ABERTO – 6ª EDIÇÃO

Dia: 24 de março

Local: Espaço Cultural Linda Mascarenhas

Programação:

• A partir das 18:00h – Estrutura de Bar; Exposições, Apresentação de Folguedo.

• Às 20:00h – Show com IBYS MACEIOH

Ingressos:

• R$ 10,00

• ½ entrada (estudantes e melhor idade) e aquisição antecipada: R$ 5,00

Vendas de Ingressos Antecipados:

• Banca Centenário e Banca Porto Seguro (Praça Centenário)

Informações: 8833 8420 – 9936 2133

Realização: BOIBUMBARTE

Parceria: : IZP – Instituto Zumbi dos Palmares

Apoio Cultural: Santoregano



quinta-feira, 17 de março de 2011

Oráculo, casa da boa música

Banda Gato Zarollo





Geraldo de Majella

Há dez anos o Oráculo tem sido a casa da boa música em Jaraguá, território de sambistas, chorões, roqueiros e frevos. Os que gostam de samba não precisam consultar as divindades, pois os oráculos indicarão aos sábados, no crepúsculo da tarde, o caminho alegre dessa casa de música, na praça do Rayol.

Jaraguá é território da boêmia desde que Maceió nasceu com altos e baixos. Muitas vezes pensamos que tudo vai se acabar, e num outro instante o bairro ressurge das cinzas ou dos escombros.

Ainda moram, no bairro, figuras expressivas da boêmia como Etevaldo Cavalcante, o Tebas, que é um dos mais antigos e também um dos mais assíduos às tardes de samba e choro no Oráculo. Animado, dançarino e tomador de uísque, do alto dos seus 79 anos de idade e com mais da metade da vida ativa como boêmio, um incansável.

O escritor Carlito Lima, boêmio declarado, especialista em Jaraguá, afirma com conhecimento de causa que nessa região se concentra, aos sábados, principalmente, a maior quantidade de mulheres bonitas de Maceió.

Daí, suponho ser o motivo de haver tantos admiradores de samba e boêmios dançando no salão daquela casa, que podemos batizá-lo templo da boa música.

O antigo casarão onde se localiza o Oráculo propicia um excelente local para o público: amplo, arborizado e revitalizado como foi toda a região de Jaraguá. As gerações vão se misturando na praça e dentro da casa de música sem divergências; tudo acontece em harmonia. Quando termina a noitada de samba abre-se um outro espaço, o dos roqueiros.

Aos sábados, depois das vinte e duas horas, são os jovens amantes do velho rock and roll que dominam o pedaço. Os cabelos arrepiados, calças cortadas, correntes, óculos extravagantes, os tipos acrescidos ou ornados com muitas e visíveis tatuagens, fumam e dançam até a madrugada.

O idealizador dessa obra, o Oráculo, é Wagner Almeida, filho de um também boêmio, Valter Almeida, que no final da década de 1970 abriu a primeira boate de Anadia (AL), a Zueira Dancing Bar. Essa obra tem tido vida prolongada, sendo talvez o Oráculo a sua continuidade.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Dia Nacional da Poesia

Ferreira Gullar

Maanoel Bandeira

Marcus de Farias Costa e Robson Amorim, no violão


Sidney Wanderley


Carlos Drumonnd de Andrade

Jorge Cooper, esposa e o filho Charles



Clarice Lispector



Ana Cristina César

Lêdo Ivo